segunda-feira, 9 de junho de 2014

Nanofósseis a vista...

Hoje a coisa começou a melhorar pro nosso lado. Depois de um dia inteiro perfurando e não encontrando nanofósseis calcários nas amostras, eis que eles resolvem aparecer. Depois de 17 amostras estéreis entre meu turno de ontem e o de hoje, a minha primeira amostra do dia também foi a primeira a conter nanofósseis.
Na Unisinos sempre trabalhei com material do Cretáceo Superior (período geológico do Planeta Terra compreendido entre 113 e 66 milhões de anos atrás). O Cretáceo foi um período bem diferente da atualidade e no final desse período ocorreu uma grande extinção onde “perdemos” os dinossauros para sempre. No momento estou tendo a missão de analisar amostras bem mais jovens que contemplam alguns poucos milhões de anos atrás até a atualidade. O dia de hoje está sendo muito pesado, pois é muita coisa para aprender em pouco tempo. Basicamente, a cada hora chega uma amostra nova que deve ser preparada e analisada o quanto antes, pois o pessoal está esperando por esse resultado.
Em breve pretendo preparar um post mostrando o processo desde o testemunho saindo da coluna de perfuração até a nossa analise.

sábado, 7 de junho de 2014

Domingo é dia de... churrasco!

Domingo é o dia em que o Joides Resolution se transforma em um pedaço da minha terra, é dia de churrasco! Nada como churrasco e um bom chimarrão pra alegrar o dia que está maravilhosamente lindo, com o mar muito calmo e aquele solaço.

Perto da hora de servir o churrasco chegou o primeiro testemunho. “Core on deck” avisa o autofalante... E lá vamos todos nós ver as primeiras amostras chegarem. Parece uma coisa tola, mas se você pensar que essas rochas estavam a mais de 4 mil metros de profundidade abaixo da água do mar é muito legar ter a chance de analisa-las e toca-las pela primeira vez.

Agora começa o trabalho de verdade... A cada 1h vai chegar uma amostras para nós paleontólogos analisar. Portanto aqui me despeço desejando um ótimo domingo a todos. Aos gaúchos da minha amada terra, peço que degustem de um chimarrão em minha homenagem pois eu estarei tomando o meu pensando em todos vocês.
Aquele abraço.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Como é feita a perfuração.

Hoje lá pelas 4h da manhã (16h de ontem ai no Brasil), chegamos ao local onde será feita a perfuração.

Muita gente esta curiosa sobre como será feita a perfuração, portanto este tópico vai tentar esclarecer algumas coisas. 
Quando definirem o local exato de perfuração, começará o processo de amostragem das rochas, onde (grosseiramente falando) uma imensa coluna (a coluna de perfuração) sai do navio atravessando mais de 4 mil metros de água para chegar até o assoalho do oceano, ou seja, onde estão as rochas que a gente tanto quer analisar.
O processo que será feito para a perfuração das rochas se assemelha ao processo que você faz em casa para fazer um furo na parede com uma furadeira. Porém ao invés da broca maciça que você usa, nós usamos uma coluna gigantesca e oca com uma broca na ponta (também oca), para que a gente possa recuperar a amostra de rocha (que chamamos de “testemunho”). Conforme a broca vai recortando a rocha, o testemunho preenche um tubo que é colocado dentro da coluna de perfuração. A cada nove metros de testemunhagem, o material é puxado para a superfície por meio de cabos de aço.
Esses testemunhos, que chegam à superfície como um cilindro de rocha, são cortados em pedaços menores (a cada 1,5 metros) e então são levados para o pessoal descrever que tipos de rocha o compõem. Nós paleontólogos recebemos a parte final destes nove metros de rocha para analisar o conteúdo fossilífero da amostra.
Aí que entra o meu trabalho. Eu estudo (como já disse num dos primeiros tópicos) um grupo composto principalmente por algas microscópicas chamado nanofósseis calcários. Este grupo é muito importante, pois dentre outras coisas dá uma idade para as rochas que estão sendo analisadas. Estes organismos evoluíam muito rápido, ou seja, eles “nasciam” e “morriam” num espaço de tempo geológico muito curto, desta forma se eu estiver analisando uma amostra e encontrar determinada espécie eu seu que estou dentro de um período de tempo bem limitado na história da Terra.
A grosso modo, é a mesma coisa que uma pessoa, daqui a alguns milhões de anos, analisar fotos da história da humanidade. Se essa pessoa receber uma foto e visualizar (por exemplo) Albert Eistein, ela vai saber que essa foto foi tirada dentro do intervalo de tempo em que ele viveu (entre 1879 e 1955). No nosso caso, a gente sabe por meio de diversos tipos de datações quando as espécies viveram, desta forma a gente pode indicar a quanto tempo atrás as rochas se depositaram. Sendo assim todas as análises que vierem depois estarão colocadas dentro de um intervalo de tempo e assim vamos contando a história do nosso planeta, um pouco de cada vez, hoje aqui próximo do Japão, amanhã quem sabe próximo da sua casa (heheheheheheh).
PS: Pretendo criar um tópico maior mais tarde sobre este tema, falando um pouco mais sobre o passo a passo para coleta das amostras e para a análise.

O navio - parte IV.

Dos cinco andares usualmente percorridos por nós, o ‘Tween Deck é o mais baixo. Lá é onde está a sala de computação, a academia, o longe e a sala de vídeos.
A sala de computação possui (se não me falha a memória) doze computadores sendo que apenas um deles é equipado com câmera para fazer vídeo chamada com os familiares, por exemplo. Há um plotter onde imprimimos as coisas que queremos ver em grande escala e algumas impressoras (que também se encontram nos demais andares).

A academia possui vários equipamentos (esteira, elíptico, bicicleta, etc) e pequenos armários para deixar os seus pertences.
O navio conta com uma quantidade grande de filmes que podem ser requisitados para assistir na sala de vídeos. É um lugar amplo com três sofás confortáveis que as vezes são usados para dormir.

Junto a sala de vídeos está o Lounge, um lugar bem interessante com diversos jogos de tabuleiro e livros.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O navio - parte III

O Main Deck fica um andar abaixo do Fo’c’s’le Deck (citado no tópico “O navio – Parte I”). Nesse andar estão basicamente a parte de alimentação e a lavanderia.

A área da alimentação possui um espaço bem grande com sete mesas para pouco mais de 50 pessoas se alimentarem. Uma coisa eu posso dizer, eles sabem como deixar o povo feliz para trabalhar com mais afinco. A comida quase sempre é muito boa e há uma dezena de opção de tira-gostos... Há maquinas de café (expresso cappuccino, etc...), de sorvete italiano, de refrigerante, sobremesas, uma mesa com biscoitos, frutas e bolos, tudo isso a vontade a qualquer hora do dia. As principais alimentações aqui são feitas nos seguintes horários: 05:00h-07:00h, 11:00h-13:00h, 17:00h-19:00h e 23:00h-01:00h,  onde são servidas comidas mais pesadas (omeletes, massas, risotos, carnes, etc...), há o chamado coockie break, onde são servidos pães, frios, entre outras coisas (03:00, 09:00, 15:00 e 21:00h). Prometo outro tópico em breve mostrando e falando mais sobre que tipo de comida eles servem.

A lavanderia trabalha 24h por dia, e aqui acontece algo espetacular. Nós não precisamos lavar as roupas, dentro do quarto há uma sacola azul onde a gente coloca a roupa suja e deixa ao lado da porta do quarto. Quando retornamos a roupa esta limpa e dobra pronta pra ser usada novamente. A Kaila (minha LINDA esposa) já disse que quer que eu aprenda como isso funciona pra implantar lá em casa (heheheheh).

O navio - Parte II

Hoje vou falar um pouco sobre as acomodações do navio. Nas cinco áreas do navio (comentadas anteriormente) há acomodações, são cerca de 130 camas. Na área dos cientistas há quartos com uma cama (reservados para os chefes e coordenadores da expedição) e quartos com duas camas. Nos quartos que possuem duas camas o banheiro fica entre dois quartos, portanto é compartilhado entre quatro pessoas. 
Se levar em conta que estamos num navio científico (onde as pessoas tem que trabalhar) os quartos até que são bem grandes. Logo na entrada há um armário com das portas onde colocamos nossas coisas, na parte de cima deste armário há um local aberto com equipamentos de segurança (colete salva-vidas, capacete, etc...).

Ao lado do armário há uma escrivaninha e depois já se encontram as camas. A cama é muito grande e confortável, tem uma cortina ao redor que tapa completamente a entrada de luz, e na parede há uma pequena luminária.

Na parede de frente para a escrivaninha há uma pia com um espelho acima e logo ao lado a entrada para o banheiro. O banheiro é espaçoso e possui um chuveiro muito bom.

terça-feira, 3 de junho de 2014

A partida.

Ontem à noite fomos aproveitar o último dia em terra firme, jantamos num sushi bar muito interessante. Lá os pedidos são feitos numa tela de um pequeno computador e você fica sentado numa mesa e os pedidos vêm e vão numa pequena esteira que passa ao lado de todas as mesas. É muito interessante e eles realmente fazem um ótimo sushi, com sabores dos mais variados para agradar qualquer paladar, incluindo niguiri de hambúrguer, omelete e afins (podem acreditar). Depois do sushi fomos beber as últimas cervejas pelos próximos dois meses. 


Exatamente às 6h da manhã de hoje partimos do porto de Yokohama rumo ao local de perfuração. Serão basicamente dois dias de transito onde teremos algumas reuniões para discutir as metodologias que serão aplicadas.
Para tirar o navio do porto são usados dois rebocadores que basicamente puxam o navio até uma área onde ele possa operar por conta própria. Aos que estão se perguntando se balança ou não, até minutos atrás diria que não... agora começou a balançar um pouco.

O navio - Parte I

Após falar um pouco sobre as divisões do navio, vou tentar mostrar e comentar sobre cada área. (Se as fotos estiverem desormadas [como vejo aqui neste PC] clique nelas para ver no tamanho original).
 
Quando você sobe as escadas para embarcar no Joides Resolution você entra pelo Fo’c’s’le Deck. Logo na entrada estão dois escritórios (usados pelo pessoal que auxilia na expedição), o hospital e dois banheiros. Cruzando o corredor há a sala de conferencia, os laboratórios de química e microbiologia, a sala de raios-X e o laboratório de preparação das lâminas delgadas.
 
 
A sala de conferencia é bem grande e esta equipada com uma grande tela para apresentações e vídeo conferencias, há uma quantidade grande de livros, principalmente de geologia geral e de petrologias, além dos “reports” das expedições anteriores (onde estão todos os resultados obtidos).
 
 
O hospital é equipado com um equipamento de raios-x e acessórios para pequenos procedimentos cirúrgicos, caso necessário. O quarto do médico fica na parte de trás do hospital.
 
O laboratório de química possui diversos equipamentos que leem a composição química e outros parâmetros da rocha, que indicam em que ambiente ela se formou.
 
 
O laboratório de microbiologia (que fica junto ao de química) analisa o conteúdo microbial das rochas.
 
 
O laboratório de preparação das lâminas delgadas recebe a amostra de rocha e faz uma lâmina, onde (grosseiramente falando) a amostra é cortada numa fatia muito fina para ser analisada no microscópio. Esse tipo de analise indica muitas vezes que tipo de rocha esta sendo analisada e em que ambiente ela se formou.
 
 
O laboratório de raios-X possui equipamentos capazes de fazer analises mais avançadas sobre a composição mineral das amostras de rocha.
 
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O navio.

Hoje vou falar um pouco mais sobre o lendário “Joides Resolution”. O navio foi construído em 1978 no Canadá e passou por diversas melhorias, a última delas em 2009.

 
A área “habitável”, ou seja, aonde os cientistas vêm e vão toda a hora, é dividida basicamente em cinco partes: Bridge Deck, Core Deck, Fo’c’s’le Deck, Main Deck, e ‘Tween Deck. (OBS: aqui no PC que estou usando pra postar esses topicos as imagens aparecem deformadas. Se estiver ocorrendo o mesmo com voces, cliquem na foto e ela abrira separadamente da forma correta)
 
 
No Bridge Deck há uma copa e 3 escritórios usados principalmente pelos chefes da expedição. http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Bdeck.html
No Core Deck é onde a coisa realmente acontece... Há uma área grande onde a rocha que é perfurada chega e é cortada (no próximo tópico prometo contar como isso tudo acontece). Lá há uma área para descrição das amostras, o laboratório para preparação das amostras para análise de microfósseis e os microscópios para realizar a análise. http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Cdeck.html
O Fo’c’s’le Deck é o andar onde você entre quando chega ao Joides. Lá há o hospital, a sala de conferência, os laboratórios de química e microbiologia, e a sala de preparação de lâminas. http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Fdeck.html
No Main Deck, entre outras coisas, há a lavanderia e o refeitório. http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Mdeck.html
E por fim o ‘Tween Deck é onde há a sala de computação, a academia, a sala de vídeos e de jogos. http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Tdeck_recreation.html e http://iodp.tamu.edu/labs/ship/Tdeck_it.html
Lembrando que em cada um desses andares há uma área reservada para os quartos. Assim que possível vou tentar escrever um pouco mais sobre cada uma destas áreas. e postar umas fotos.
Hoje tivemos mais uma série de reuniões onde cada um apresentou de forma rápida quais seus planos para a expedição, depois disso fomos conhecer melhor o nosso laboratório e o material que iremos usar em nossas pesquisas. No fim do dia fui correr com mais 4 pesquisadores pelos arredores do porto.

domingo, 1 de junho de 2014

Embarque.

Desculpem a demora em mandar notícias... A internet aqui é muito limitada e ontem não pude usar.

Enfim... Embarquei ontem (dia 31/05) na minha nova casa pelos próximos dois meses. O navio é fantástico, logo na chegada recebemos uma identidade (crachá) e fizemos um tour de reconhecimento onde já deu pra ter uma ideia de como as laboratórios são bem equipados.

Vamos ficar no porto de Yokohama por mais dois dias para colocar o navio em ordem, lembrando que o navio chegou de outra expedição um dia antes da nossa começar. Durante este período estamos tendo diversos encontros para familiarizar o grupo e para que cada um saiba o que o colega pretende analisar durante a expedição. Também temos diversas palestras sobre como se portar no navio e as regras básicas para o bom funcionamento do mesmo.

O que posso dizer no momento é que as coisas estão indo bem, hoje conheci o outro pesquisador que irá analisar os nanofósseis calcários junto comigo. Mohammed Aljahdali é da Arábia Saudita, mas trabalha na Flórida, é um cara muito amigável e tenho certeza que trabalharemos bem juntos.

Meu turno de trabalho será de dia, começo ao meio dia e termino a meia noite. Neste turno o laboratório de micropalentologia será coordenado por mim e por um inglês chamado Sev Kender, que estuda foraminíferos (protozoários microscópicos). Porém este turno de trabalho só inicia quando sairmos de Yokohama.

Hoje e nos próximos dois dias, seguiremos no porto discutindo (principalmente) as questões metodológicas da expedição.

Em breve pretendo colocar algumas fotos do navio e explicar um pouco mais como as coisas funcionam por aqui.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A expedição.

Eu não poderia embarcar sem falar brevemente sobre a expedição e seus integrantes.

A instituição que promove as expedições, chamada Integrated Ocean Discovery Program (IODP), surgiu (se não me engano) entre o final da década de 60 e inicio de 70. Trata-se de um projeto internacional de pesquisa marinha com apoio de diversos países, incluindo o Brasil. A IODP realiza perfurações e estudos sobre os oceanos buscando respostas sobre a evolução do Planeta Terra.

A expedição da qual farei parte vai perfurar o assoalho oceânico de um local no Oceano Pacífico próximo a Fossa das Marianas (local mais profundo dos oceanos), distante mais ou menos 1000 km de Yokohama.

O círculo amarelo mostra Yokohama e a estrela vermelha é o ponto onde será feita a perfuração.

Ao todo seremos 30 cientistas (lista abaixo) buscando informações sobre a evolução geológica da região a ser perfurada. O objetivo principal da expedição é o embasamento. Além dos cientistas haverá ainda uma grande quantidade de pessoas dedicadas à limpeza, alimentação, perfuração, etc...

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cheguei.

Finalmente cheguei a Yokohama! Depois de quase 24h de voo, fora o tempo perdido em aeroporto, eis que estou em terra japonesa. 

Quero agradecer enormemente a todos que rezaram e que continuam torcendo por mim. Fiquei muito contente com a repercussão do blog, e mais ainda que vocês curtiram a ideia.

Enfim, Yokohama é uma cidade muito interessante. Cheguei já era fim de dia, lembrando que o fuso daqui é 12h a mais que no Brasil. Tem muita opção de comida e o povo é muito educado. Pra ter uma ideia, eu que gosto de reclamar da sujeira das cidades no Brasil, fiquei de boca aberta aqui. Caminhei por mais de uma hora e não achei nenhuma lixeira na rua, e adivinhem? Nada de lixo no chão...

Amanhã vou comunicar o povo da expedição que já estou aqui e depois terei um tempo pra conhecer melhor a cidade, se possível posto umas fotos aqui.

Gostei muito que vocês comentaram lá no face, mas seria mais interessante se vocês comentassem as coisas por aqui.


Novamente muito obrigado! 

PS: Amanhã sairá o meu primeiro chimarrão em terra japonesa.    

Trabalho de um micropaleontólogo.

Vou tentar explicar de uma forma rápida (até demais) qual vai ser a minha contribuição para a expedição.

A micropaleontologia é um ramo da paleontologia que estuda restos de animais ou vegetais fósseis com dimensões muitos reduzidas, cuja observação só é possível com auxílio de lupas e microscópios. 

Os microfósseis são encontrados em grande quantidade em rochas compostas por sedimento fino tanto de origem continental quanto oceânica. São poucos os tipos de rocha sedimentar que não contém nenhum grupo de microfóssil. Dentre os principais grupos de microfósseis estão protozoários, algas e partes de organismos maiores, como o pólen e os esporos das plantas.

O trabalho de um micropaleontólogo começa com a obtenção das amostras de rocha, seguido da preparação da amostra para a recuperação dos microfósseis. Posteriormente os microfósseis são separados dos fragmentos de rocha para identificação dos mesmos (fotos a seguir). Cada organismo possui características únicas que possibilitam estabelecer inferências sobre o ambiente e a época em que este organismo viveu.

Amostras de rocha recém chegadas ao laboratório.
Preparação das amostras para recuperação de microfósseis.
Triagem, onde os microfósseis são separados dos fragmentos de rocha. 
Análise dos microfósseis.

Eu trabalho com um grupo de microfósseis chamado "nanofósseis calcários". Este grupo é formado principalmente por algas microscópicas que viviam nos mares da pré-história e seguem até a atualidade.

Exemplo de algumas formas de nanofósseis calcários.

Este é o menor grupo de microfóssil e sua análise deve ser feita com um microscópio com aumento mínimo de 1000x. Essas algas dominavam todos os oceanos e além de ocorrerem em grande quantidade elas evoluíam muito rápido, fazendo com que as espécies tenham um range estratigráfico (período entre surgimento e o desaparecimento da espécie) muito curto. Desta forma, este grupo de microfósseis é amplamente aplicado para datação das rochas, ou seja, ao analisar a rocha e se deparar com determinadas espécies, é possível atribuir uma determinada idade para a deposição daquele sedimento.

A minha maior contribuição para a expedição será a datação das rochas, enquanto outros grupos de microfósseis e outro tipo de analises indicarão outros fatores.